“Nós dobramos a quantidade de usuários de gás natural na Paraíba”
Em entrevista, gestor da PBGás faz um balanço dos avanços alcançados e projeta os próximos passos da empresa
Mais de 38 mil comércios e imóveis paraibanos estão conectados ao gás natural. A gestão dessa rede, no estado, é função da Companhia Paraibana de Gás (PBGás), que encerrou 2025 com um recorde de 5.130 novas ligações, um crescimento de 50% em relação a 2024, quando se registraram 3.423 unidades. Nos últimos anos, esse compromisso abarcou a participação em obras estratégicas, investimentos em infraestrutura e a expansão da rede de distribuição, a partir de uma perspectiva aliada ao desenvolvimento sustentável. Em entrevista ao jornal A União, o diretor-presidente da PBGás, Jailson Galvão, realiza um balanço dos avanços alcançados e projeta os próximos passos da companhia.
A entrevista
Ao fim desses sete anos, qual o legado da sua gestão na PBGás? Que resultados foram mais importantes?
Esse foi um período desafiador para a PBGás, mas, sob a orientação do [ex-] governador João Azevedo e do [ex-] secretário da pasta de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Deusdete Queiroga, a companhia avançou bastante. Para você ter uma referência importante, em 2019 nós tínhamos 19.473 usuários de gás natural no estado. Concluímos agora o ano de 2025 com 38.298. Ou seja, nós dobramos a quantidade de usuários na Paraíba. Isso é uma marca indelével do governo João Azevêdo, com foco no desenvolvimento do setor, e eu tive a felicidade de estar na presidência nesse momento. Como não se faz nada sozinho, isso ocorreu juntamente com meus pares diretores — técnicos, comerciais, administrativos, financeiros — e toda a equipe da PBGás. Houve um foco no mercado de varejo, onde a PBGás tem vocação, pela realidade do nosso mercado, para atender os condomínios verticais e horizontais e também bares, restaurantes e hotéis. A gastronomia muito qualificada de João Pessoa e de Campina Grande fez com que déssemos esses passos. Ampliamos, nesse período, cerca de 100 km da malha de gasodutos. Hoje, nós estamos chegando à marca de 420 km da rede de distribuição de gás natural. São números importantes, que firmam um trabalho intenso neste mandato. Um marco significativo desse governo, com a nossa contribuição, foi levar a infraestrutura de gás ao Polo Turístico Cabo Branco. Ao longo da PB-008, você já identifica a sinalização dos gasodutos. Nós vamos disponibilizar esse serviço a todos os hotéis e resorts daquela região. Vamos iniciar com o Acquaí Park e o Ocean Palace, que fizeram um grande investimento naquela área e serão clientes da PBGás no uso do gás natural canalizado.
Quais fatores impulsionaram o crescimento no número de clientes, que dobrou no período? O gás natural tornou-se mais acessível ao consumidor paraibano?
O gás natural é aliado do desenvolvimento sustentável. O nosso ainda é de fontes fósseis, mas a queima dele é tão completa que praticamente não há emissão de gases do efeito estufa. Por isso que nós dizemos que o gás natural é o combustível da transição. É um combustível menos poluente, que emite menos gases danosos, mas que precisa também de um preço competitivo. A política da PBGás sempre procurou uma competitividade que torna o gás bastante atraente. Foram várias movimentações estratégicas para mantê-lo em um preço competitivo e para construir gasodutos onde está o mercado. A demanda vem por todas as vantagens do gás natural. Esse crescimento ocorre nos segmentos de varejo, residencial e comercial. Nesse setor, além do preço atrativo, não é preciso armazenar o gás; você o consome diretamente, de acordo com a necessidade. Ele também é mais seguro do que qualquer outro. Havendo um eventual vazamento, o gás, por ser mais leve que o ar, se dissipa rápido. E ele é pago após o consumo. Não se compra antecipadamente. A competitividade econômica e a determinação estratégica da companhia promoveram esse crescimento e marcaram a nossa gestão.
Abril marca um ano da entrega do gasoduto João Pessoa–Cabedelo. De que maneira essa obra tem impactado a economia e o desenvolvimento da região?
Levar o gás até o Porto de Cabedelo representa um marco. Antes, até então, não havia gás naquela área, no município. O Moinho Dias Branco, aquela unidade industrial tão importante instalada no porto, consumia o gás liquefeito de petróleo (GLP), que é um combustível mais oneroso para a indústria. Ao optar pelo gás natural, a empresa consegue ter uma economia de mais de R$1 milhão por ano. Esse gasoduto abre um horizonte de curto, médio e longo prazo. Se a gente for fazer uma comparação, por exemplo, o Porto de Suape, em Pernambuco, conhecido como um grande porto regional, é ligado à rede de gás da companhia estadual de lá para atrair a instalação de indústrias naquela localidade. Da mesma forma, hoje, a Paraíba também oferta o gás natural canalizado ao porto. Ao longo do traçado para chegar até lá, temos vários condomínios, bairros litorâneos como Intermares, Camboinha, Areia Dourada, com bares e restaurantes que estão sendo ligados ao gás natural canalizado. Isso é um exemplo de que, com a oferta da infraestrutura, a demanda cresce e a ligação com o gás natural vai sendo ampliada.
Por falar na rede de gasodutos, o que explica a expansão dos últimos anos?
É uma intensificação e uma priorização dos objetivos estratégicos da empresa. Nós implantamos o planejamento estratégico na companhia e o internalizamos para que pudéssemos ter esses objetivos bem definidos. A gente só capta o mercado com a ampliação da rede, que cresceu 28%, e temos que estar sempre expandindo. Mantivemos uma média de cerca de R$ 12 milhões investidos nisso anualmente, porque uma companhia concessionária de gás canalizado tem como propósito ofertar essa infraestrutura. Isso foi feito e mostra a contribuição da PBGás nesse melhor momento que a Paraíba se encontra, em termos de desenvolvimento. A PBGás é uma empresa estatal de economia mista e o Governo do Estado, como principal acionista, também contribuiu para isso. Em 2022, quando a Gaspetro, empresa da Petrobras, se retirou do setor de distribuição de gás, o Estado, que já tinha 51% de participação, exerceu o direito de preferência e adquiriu mais 24,5% das ações ordinárias. Isso simbolizou a determinação do governo em ver o gás natural canalizado como estratégico para o desenvolvimento. A outra parcela é exatamente 24,5% da Mitsui, outra acionista da empresa que permanece até hoje uma grande parceira do Governo do Estado, com participação em outras companhias de gás do Nordeste e do Brasil.
Recentemente, a termelétrica estadual Epasa saiu como vencedora do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026, promovido pelo Governo Federal, e garantiu um contrato para a ampliação de gasodutos na Paraíba até 2028. Qual é a dimensão desse projeto?
Nós tivemos a felicidade da Epasa encerrar as atividades como uma empresa térmica que usava óleo combustível e se credenciar no leilão para utilizar gás natural canalizado. Esse é o grande diferencial desse novo momento da Epasa no estado da Paraíba. Ela se consolidará no estado, porque obteve uma vitória, em um contrato de 15 anos, para fornecimento de energia elétrica gerada por meio de gás natural, com dois projetos: um de 59 MW e outro, muito maior, com 291 MW. Quando a termelétrica for despachada para o sistema, esses projetos consumirão cerca de 280 mil m³ e 1,5 milhão de m³ de gás por dia, respectivamente. Hoje, a PBGás comercializa 150 mil m³ por dia. Isso mostra o impacto positivo dessa nova realidade de fornecimento de gás para o estado da Paraíba. Tudo isso é investimento, é emprego, é geração de renda, é desenvolvimento continuado aqui no estado.
Qual será o papel da PBGás nesse processo?
O projeto maior, de 291 MW, ocorrerá por meio do consumidor livre. Essa é uma nova figura no nosso mercado: ele não adquire nosso gás, mas usa nosso sistema de distribuição. Já o de porte menor, referente aos 59 MW, será com uma contratação direta com a PBGás. Primeiro, contribuímos para a proposta da Epasa, quando oferecemos uma tarifa competitiva de uso do sistema, e agora ficamos com a incumbência de construir um gasoduto do ponto de entrega da transportadora associada de gás (TAG), que é a empresa de transporte que traz o combustível ao nosso estado, até as instalações da Epasa. Vão ser cerca de 14 km, com diâmetro de 12 pol e uma pressão de operação de 28 kgf/ cm² para possibilitar a entrega do gás nesse volume. Esse gasoduto terá a capacidade de fornecer 1,5 milhão de m³ a essa unidade e 280 mil m³ à outra. Somando os dois, serão 1,78 milhões m³ de gás por dia. São números enormes, impactantes, muito significativos. Por isso, comemoramos bastante, ao final do governo João Azevêdo, a celebração de um contrato com a Epasa nesse patamar, que é muito positivo para todos os agentes envolvidos nesse empreendimento.
Outra prioridade da PBGás é a sustentabilidade, especialmente com a participação no corredor sustentável com gás natural veicular (GNV). A tendência é que essa infraestrutura seja ampliada na Paraíba?
Sim. Hoje, a Paraíba já tem postos de combustível a gás, que viabilizam o consumo dos motores pesados, dos motores de caminhões. Cada caminhão consumidor de gás equivale a 50 veículos de pequeno porte. É verdade que há uma tendência nacional de queda de consumo de GNV para veículos pequenos, por vários fatores, principalmente com o mercado de carros elétricos. Mas, por outro lado, há um crescimento em função da entrada dos motores pesados no consumo do gás natural. Esses corredores sustentáveis possibilitam o abastecimento de caminhões tanto ao longo da BR-101 como também da BR-230. Qualquer posto de GNV garante mais 200 km a carros de menor porte e 500 km a caminhões, ou seja, aos motores pesados. Com isso, a gente alcança praticamente frotas de caminhões de todo o estado por meio do gás natural. Isso possui um apelo sustentável muito grande, porque o óleo diesel é bem mais poluente. A partir do momento em que a frota é abastecida a gás, essa emissão cai bastante. A questão ambiental é bem significativa nesse aspecto.
A PBGás adquiriu uma unidade móvel de abastecimento, que transporta e fornece gás natural comprimido (GNC). Essa unidade móvel contribui para levar gás a regiões sem rede? Onde ela é utilizada?
É uma pequena unidade móvel de gás natural que serve como backup para situações específicas, um item de segurança para o sistema de fornecimento do varejo. No caso de algum impedimento da rede por alguma questão operacional, nós temos agora uma unidade móvel que pode se deslocar e suprir a demanda enquanto determinados serviços são feitos. Isso garante mais confiabilidade aos nossos usuários, em saber que existe essa unidade de prontidão para atuar quando há algum problema, algum incidente, ou uma manutenção programada em determinada área do gasoduto. Ela fortalece a nossa segurança operacional, que já é de um fornecimento muito bom em termos de mais de 99% de atendimento. A falta do gás natural é muito pequena e essa unidade móvel operacional reforça a disponibilidade do gás aos nossos usuários. Ela também pode ser deslocada para apoiar eventos onde nós ainda não temos rede, como ocorreu na abertura do Restaurant Week, no Casacor e outras iniciativas dessa natureza.
Pensando no futuro, quais são os principais desafios da PBGás para os próximos anos?
De uma forma geral, o principal desafio é continuar crescendo no ritmo com que chegamos até aqui. Mas temos resultados que garantem que nós vamos poder enfrentá-los. As termelétricas da Epasa entrarão em operação em outubro de 2028. A partir desse momento, a PBGás já recebe um incremento de remuneração, por meio da tarifa de uso do sistema de distribuição. Com mais recursos, haverá mais investimentos e uma maior expansão na rede de dutos da companhia. Isso possibilitará, não tenho dúvida, que o próximo governo a ser escolhido pelo povo paraibano aumente a capacidade da PBGás no futuro.
