Entrevista Exclusiva no Jornal A União – 25.10.26

Por Bárbara Wanderley

A Companhia Paraibana de Gás (PBGás), responsável pela distribuição exclusiva de gás natural encanado no estado, está fazendo aniversário. Hoje, completam-se 32 anos de serviços prestados à população, Constituida como uma sociedade de economia mista, ela conta, atualmente, com dois acionistas: o Governo da Paraíba e a Mitsui Gás.
Desses 32 anos, os seis últimos foram vividos sob a gestão de Jailson Galvão, atual presidente da companhia, que concedeu entrevista exclusiva ao jornal A União. Nessa conversa, ele destacou a trajetória de sucesso da empresa e os próximos passos para o seu crescimento.
Em primeira mão, Jailson Galvão revelou que a PBGás está prestes a assinar um dos contratos mais importantes de sua existência, com a Centrais Elétricas da Paraíba (Epasa), empresa vencedora do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) 2026. Os termos devem ser definidos ainda neste ano.
entrevista

A PBGás está completando 32 amos de existência, sendo seis sob a sua gestão. Qual é o balanço dessa trajetória?

A PBGás é uma empresa de economia mista, estratégica para o estado. Ao longo desses 32 anos, ela se desenvolveu com marcos importantes, como a interiorização, com a construção do gasoduto João Pessoa-Campina Grande, e a ampliação do seu mercado nos segmentos industrial, veicular, residencial e comercial. Nos últimos oito anos, mesmo tendo passado por uma pandemia, nós tivemos muito incentivo do ex-governador João Azevedo, do secretário anterior da pasta de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Deusdete Queiroga, do atual governador, Lucas Ribeiro, e do secretário Jovânio Gomes Silva. Tanto é que a PBGás superou a marca de 40 mil usuários do gás natural no estado. Em 2019, a empresa tinha cerca de 19,3 mil clientes; neste ano, ao completar 32, ela supera a marca dos 40 mil usuários de gás natural canalizado. Ou seja, sete anos depois, a companhia ganhou 20,7 mil clientes novos, mostrando uma reta incrementada de ampliação na sua base de clientes. Além disso, superamos a marca de 400 km de rede de gasoduto e hoje ofertamos a infraestrutura do gás natural canalizado até o Porto de Cabedelo, passando, obviamente, pelos bairros Bessa e Intermares. Também chegamos, no fim de 2025, ao Polo Turístico do Cabo Branco, que já está começando a funcionar e vai ser um grande atrativo turístico na Paraíba. A PBGás está junto de empreendimentos importantes, que se somam no conjunto de ações realizadas nesse período e colocam a Paraíba em um novo patamar de desenvolvimento. A companhia está fazendo a sua parte e contribuindo para esse desenvolvimento.

Em 2019, a PBGás tinha 19,3 mil clientes; neste ano, superou a marca dos 40 mil usuários de gás natural canalizado — um aumento de 20,7 mil clientes novos, em sete anos.

Atualmente, quais são os municípios que a PBGás consegue atender?

Atendemos, ao todo, 16 municípios. Estamos em João Pessoa, Campina Grande, Cabedelo, Conde, Alhandra, Santa Rita, Bayeux, Mamanguape, Queimadas, Ingá, Caldas Brandão, São Miguel de Taipú, Gurinhém, Sobrado, Mogeiro e Pedras de Fogo, totalizando 430 km de rede implantada.

Hå planos de expansão?

Sim, a expansão da PBGás é continua. Esse é o nosso dever, expandir ao máximo para atender às demandas que existem na nossa área de concessão, ou seja, a Paraíba inteira. O gás natural alcança 16 dos nossos 223 municípios, mas esses 16 municípios são responsáveis por 60% do PIB [Produto Interno Bruto] da Paraíba. É onde a demanda de energia está em maior concentração. por isso que, mesmo ainda sendo um número reduzido, é muito significativo em termos de participação na economia do estado.

Em qual segmento a PBGás é mais atuante?

Nós temos vocação para o segmento do varejo, que é o comercial e o residencial. Esses mais de 40 mil usuários são, predominantemente, desses segmentos. Condominios verticais, condomínios horizontais e comércio, Os hotéis da orla, os restaurantes, as lavanderias…. Temos desenvolvido bastante todo esse conjunto do segmento comercial, é a nossa realidade de mercado.

Antigamente, as residências não eram construidas com tubulação para gás, e as pessoas ficavam refens de botijão. Hoje em dia, com os prédios já sendo construidos para ter yás encanado, a PBGás consegue se fazer mais presente no segmento residencial. Vocês têm parcerias com construtoras para que as obras já sejam inauguradas com o gás da PBGás?

Sim, temos. Nossa estratégia é fazer parcerias com as construtoras para que os projetos já levem em conta a possibilidade do gás natural canalizado. Os atributos do gás canalizado superam, e muito, o GLP [gás liquefeito de petróleo], ou o gás do botijão, que tem que ser comprado e pago antecipadamente e precisa ser armazenado, O GLP é um gás mais pesado. Do ponto de vista ambiental, como é derivado do petróleo, ele deixa resíduo. Havendo qualquer vazamento, ele permanece na superfície. Enquanto o gás natural canalizado é de origem natural, como o próprio nome diz. Na natureza, ele vem de campos de petróleo e campos de gás. É mais leve que o ar, portanto, se houver algum vazamento, ele rapidamente se dissipa. Além disso, ele não precisa ser armazenado o que, do ponto de vista da segurança, é muito eficaz. Se houver qualquer sinistro no prédio, basta fechar a válvula para evitar um acidente de vazamento ou de incêndio. Mesmo os prédios anteriores à chegada da nossa rede podem ser adaptados. Em prédios que já tenham canalização interna, é possível fazer alguns ajustes de ambiente que possibilitam o uso do gás canalizado. Você tira aquele conjunto de cilindros de armazenamento e fica apenas com uma pequena estação da PBGás para substituir o GLP.

O senhor falou das vantagens do gás natural canalizado em relação à segurança. Quais são as vantagens do ponto de vista da sustentabilidade?

Num momento em que o mundo se preocupa cada vez mais com a transição energética, o gás natural é muito adequado. O gás, mesmo sendo um combustivel fóssil, tem uma queima natural.
O gás natural é mais leve que o ar; se houver algum vazamento, ele rapidamente se dissipa. Já o GLP (de botijão), por ser mais pesado, permanece na superfície que causa muito menos dano ao ambiente. Inclusive, o metano, um dos componentes do gás natural, é o segundo gás de efeito estufa, mas, ao ser queimado, ele é benéfico para a redução desse efeito. O gás natural é aliado da transição energética, o combustível da transição energética que vai possibilitar substituir o próprio petróleo, ou um derivado seu, por um gás que terá uma vida posterior à suspensão do consumo de petróleo no mundo. Estamos em linha com o desenvolvimento sustentável, com uma sociedade de baixo carbono, menos consequência para o efeito estufa e mais preocupação em relação às mudanças climáticas.

João Pessoa é uma cidade que sempre teve vocação turística, mas, nos últimos anos, isso explodiu. A cidade fica cheia de turistas o ano inteiro, e alguns até decidem morar aqui. Em que medida isso pode ter ajudado a PBGás a crescer?

Eu acho que é uma via de mão dupla. A partir do momento em que você disponibiliza a infraestrutura do gás canalizado e possibilita o uso desse combustível fóssil em novos prédios e hotéis por sinal, todos esses hotéis recentes já são projetados para o uso do gás canalizado você oferece melhores condições de infraestrutura e atrai as pessoas. Isso aumenta a demanda, e aí é um ganha-ganha: para o desenvolvimento da cidade, para o estado e para o meio ambiente.
Então muitos hotéis e restaurantes novos já estão utilizando o gás?
Perfeitamente. O maior exemplo disso é o Polo Turístico do Cabo Branco. Efetivamente, esse é o maior símbolo, porque é um polo que vai dobrar o número de leitos hoteleiros do estado, e a PBGás está lá, com a sua rede de dutos. O parque aquático, por exemplo, vai utilizar o gás natural. É um benefício em todos os níveis, até mesmo para evitar a circulação de caminhões com cilindros de GLP. Haverá uma rede segura e reservada fornecendo essa energia para os hotéis.

Quais são os próximos passos, as perspectivas para o futuro da PBGás?

O futuro sinaliza com a possibilidade de grandes empreendimentos no estado, inclusive investimentos na área mineral. O governo está em negociação. O destaque é que nós assinaremos e falo isso em primeira mão -, ainda neste semestre, um contrato para o uso do sistema de distribuição de gás da PBGás pelas térmicas da Epasa [Centrais Flétricas da Paraíbal. Eles foram vencedores no leilão de capacidade e terão uma demanda a partir de 2028, de volume muito significativo, o que vai trazer um impacto muito positivo para a PBGás, em termos de receita e de operação, O consumo de uma das térmicas da Epasa (serão três unidades) supera a marca de dois milhões de metros cúbicos por dia. Hoje, a nossa distribuição é para 150 mil metros cúbicos. Então, mesmo que o consumo da térmica não seja na base, é uma reserva de capacidade; quando ela precisar operar, e for despachado pelo sistema elétrico, ela precisará que toda a nossa infraestrutura esteja disponível para fornecer o gás nesse nível de demanda. Há uma remuneração e uma preparação operacional para isso, é o evento de maior destaque que temos no nosso horizonte. O gasoduto para abastecer as térmicas estará pronto ao longo de 2027, para estar bem resolvido quando essa demanda for necessária, a partir de 2028. Esse é o grande destaque, a sinalização mais forte de crescimento da PBGás para os próximos anos, ampliando muito o horizonte da empresa. Isso leva a mais investimento, mais ampliação da rede, mais interiorização do gás. As perspectivas são muito positivas para a PBGás, em paralelo às excelentes perspectivas do estado da Paraíba.